O fantástico mundo colorido dos investimentos em lucro líquido.


Olá, Marcos Pinheiro por aqui.

Neste post quero compartilhar com você, um conselho que recebi quando estava começando a trilhar pelo mundo dos investimentos em ativos mobiliários listados em Bolsa de Valores. Confesso que o início de minha experiência foi tenebrosa, não pela bolsa propriamente, mas sim pelo meu atrevimento em lançar-me por águas desconhecidas.

Desta forma, por meio de meus posts, quero deixar público as minhas experiências, meus conflitos, meus pensamentos sobre o mercado financeiro, mais precisamente no que tange aos investimentos em ações de empresas listadas na Bolsa de Valores brasileira. Por meio destes registros, quero contribuir, no intuito de facilitar sua caminhada, levando-o a refletir sobre o assunto e assim apresentar as ferramentas e o mindset que utilizo com o intuito de me proteger dos riscos envolvidos na caminhada rumo à Independência Financeira e assim ficar despreocupado para aproveitar as belas vistas e recompensas deste lindo, porém desconhecido por muitos, mundo dos investimentos.

Deixando o papo pra lá e indo direto ao assunto, hoje quero compartilhar um conselho que tive quando comecei a investir no mercado de ações, mas que se mostrou frágil ao longo do tempo. O conselho que eu recebi quando estava iniciando nos investimentos em ações foi:

Marcos, invista em ações olhando só o lucro líquido da empresa. Simples assim! Você não vai gastar nem 5 minutos por mês pra analisar.

E foi isso que eu fiz. Comecei a investir olhando o lucro líquido das ações procurando aplicar, meus minúsculos aportes, em ações que tinham o lucro líquido crescente.

Mas, pra minha grata surpresa, as empresas que escolhi com esse simples conselho, começaram a patinar e apresentar resultados aquém do que estava apresentando quando tomei a decisão de investir nelas. Esse fato acendeu, em mim, um profundo alerta e uma certa incomodação, fazendo-me a refletir sobre o assunto. Durante dois anos, fiquei com esse questionamento “assombrando” meus pensamentos e minhas decisões de investimentos.


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No curso de contabilidade, fui apresentado a um dos diversos mundos da contablidade, o “famoso mundo colorido dos números”. Neste mundo colorido, bruxas viram fadas, números feios ficam bonitos (a famosa “maquiagem contábil”) e os gestores priorizam o lucro a qualquer custo (opa a resposta para o meu problema). Aqui vale ressaltar, que a contabilidade é uma ciência social aplicada ímpar e justa. Todas as práticas são evidenciadas, mesmo que de forma implicitas, em suas demonstrações contábeis, ou seja, por meio de uma análise minuciosa das demonstrações, é possível identificar tais práticas e mensurar as consequências que as mesmas poderá vir a causar sobre a empresa.

No que tange as gestões voltadas para o lucro (problema de minha indagação inicial), gestores podem priorizar, no curto prazo, ações que venha contemplar o lucro líquido da empresa, em um mecanismo de autopromoção de gestão. Entretanto, todas as ações voltadas no mundo empresarial com projeções de curtíssimo prazo, trará consequências para a empresa no longo prazo. Um desequilíbrio na estrutura de capital¹ da empresa, pode comprometer a manutenção dos lucros e consequentemente elevar os riscos envoltos no processo de investimentos.

Desta forma, aprendi que olhar exclusivamente para o lucro líquido da empresa não deve ser uma prática de análise que venha embasar, excluisivamente, uma tomada de decisão de investimento. Assim, é de suma importância que seja levado em consideração, no processo de tomada de decisão em investimentos, o tripé contábil.

Este tripé abrange uma análise sistêmica que tem como propósito avaliar:

1) Rentabilidade da empresa, mensurando a qualidade dos lucros apurados;

2) Nível de endividamento atual da empresa comparando-a com estrutura de capital ótimo para a atividade;

3) Níveis atuais, de curto e longo prazo, da capacidade de pagamento dos compromissos firmados com terceiros e nível de geração de caixa;

O que eu quero que você se conscientize a respeito dos investimentos por meio do lucro líquido!

Olhar exclusivamente, no processo de tomada de decisão em investimentos, para o lucro líquido pode comprometer seus investimentos uma vez que pode criar uma falsa realidade de prosperidade financeira da empresa. A decisão de investimento não deve ser feito levando em consideração apenas os termos de lucro realizado. Quando investimento em uma empresa, não estamos investindo em seus lucros passados, e sim em sua capacidade de geração de lucros futuros.

Desta forma, é vital para seus investimentos, que seja realizado uma análise completa da qualidade dos lucros gerados, bem como a qualidade de divida e sua capacidade de pagamento dos compromissos firmados, só assim você conseguirá separar as empresas, verdadeiramente, excepcionais daquelas que lutam para sobreviver. Com tudo isso, a melhor forma de fazer uma avaliação da empresa em que se deseja investir é levar em consideração o tripé supracitado.

“Contabilidade, a mãe dos justos e a dedo duro dos injustos.”


Nota:

¹ Estrutura de Capital: Esta terminologia é aplicada para expressar a combinação na utilização de capital próprio e capital de terceiros (endividamento) como financiadores de ativos.


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