Os Dividendos no processo de escolha de investimentos


Uma das indagações que sempre esteve presente em meus pensamentos quanto investidor é o papel dos proventos¹ no processo de escolha de ativos que irão compor a carteira de investimentos.

Tomando como base que todos os investidores destinam seus recursos excedentes para investimentos que lhe traga a melhor rentabilidade no que tange o conceito de risco/benefício, tenho observado, com frequência, noticiários de destaque sobre o percentual pago pelas empresas sob a forma de dividendos em relação cotação do ativo no mercado à vista. A esta relação dá-se o nome de Dividend Yield.

Alçando um olhar sob o indicador Dividend Yield, é possível mensurar a quantidade percentual que a empresa disponibiliza, anualmente, a seus acionistas, sob a forma de proventos em relação a sua cotação de mercado.

É aconselhável olhar para esse indicador como instrumento de tomada de decisão?


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A melhor resposta para essa pergunta é: SIM e NÃO!

No que tange a afirmação positiva, é sempre aconselhável possuir, em carteira, ativos que trazem, aos investidores, um retorno financeiro satisfatório. Em outras palavras, quanto mais o investidor receber proventos como retorno do investimento, menor será o nível de riscos de perdas, pois mais rápido terá o retorno total do valor investido.

Com o sentido de exemplificar e assim tornar o processo de explicação mais didático e de fácil compreensão, imaginemos 2 ativos pertencentes ao mesmo setor. A empresa XPTO atualmente está cotada a $10,00 e prometeu pagar, sob a forma de proventos, o montante de $1,00 a seus acionistas. Neste caso, o dividend yield da empresa XPTO é de 10% ($ 1,00 / $ 10,00). Isso significa que a cada ano a empresa “devolve”, sob a forma de proventos, 10% do total investido. Assim, em 10 anos, caso a empresa consiga manter este pagamento anual a seu acionista, o mesmo terá, sob a forma de proventos, reavido o montante aplicado.

Agora imaginemos o caso hipotético da empresa MNOP, que atualmente esta cotada a $ 15,00 e que vai distribuir $ 3,00 de proventos a seus acionistas. Neste caso, o dividend yield da empresa MNOP é de 20% ($ 3,00 / $ 15,00). Isso significa que a cada ano a empresa “devolve”, sob a forma de proventos, 20% do total investido. Assim, em 5 anos, caso a empresa consiga manter este pagamento anual a seu acionista, o mesmo terá, sob a forma de proventos, reavido o montante aplicado.

Com isso, podemos observar que o investidor que optou por adquirir ações da empresa MNOP possui uma rentabilidade superior aos investidores que optaram por investir no ativo XPTO, além de ter o seu risco aparentemente menor, uma vez que a “promessa de devolução” do recurso aplicado, para a empresa MNOP, é menor. É por esta razão que diariamente observo matérias promovendo esse ponto de vista.

Já no que tange a afirmação negativa, o indicador dividend yield não deve ser o único a ser analisado para embasar um processo de tomada de decisão em investimentos. Como a própria relação formadora do indicador (dividendos pagos por ação / cotação do ativo) não leva em consideração a informação sobre o lucro gerado pela empresa e consequentemente o montante máximo a disposição para destinação aos acionistas, faz-se necessário observar se a empresa esta pagando dividendos superiores aos lucros gerados por ação. Em outras palavras, não se sabe, apenas com esse indicador, se a empresa conseguiu gerar, com sua atividade operacional, lucro suficiente que garanta o pagamento do valor destinado a seus acionistas sob a forma de dividendos.

É possível que empresas paguem dividendos, aos seus acionistas, superiores aos valores auferidos como lucro. Essa prática, no longo prazo, é prejudicial à saúde financeira da empresa, uma vez que a mesma (empresa) deve compensar as saídas de recursos provenientes dos pagamentos dos dividendos em relação às entradas de recursos fruto dos lucros realizados por suas atividades empresariais.

Esta compensação ocorre basicamente de duas formas, sendo por meio de recorrência a empréstimos com terceiros ou por meio de alienação ou venda de seus ativos. Caso a empresa opte por recorrer à empréstimos com terceiros como instrumento de compensação dos pagamentos de dividendos haverá um aumento no custo das despesas financeiras e consequentemente haverá uma expectativa de redução do lucro empresarial, uma vez que o dinheiro captado com terceiro foi destinado para o pagamento de dividendos aos acionistas, não sendo portanto possível que este recurso traga maiores resultados financeiros para a empresa, ou seja, a empresa assumiu um compromisso financeiro com terceiros e não terá como reaver esse retorno por meio de suas atividades uma vez que sua aplicação não ocorreu dentro da empresa.

Caso a empresa opte pela venda de ativos como instrumento de compensação, haverá uma expectativa de redução do lucro. Imaginemos da seguinte forma, caso a empresa possui 3 máquinas para realizar as operações do dia a dia, as quais são responsáveis pelo faturamento atual da mesma, caso a empresa opte por vender uma máquina, a tendência natural é de que a empresa tenha dificuldades para compensar a venda de seu ativo e consequentemente em gerar a mesma quantidade de lucro. Este evento só é recomendável para a empresa quando este ativo, no caso de nosso exemplo, a máquina, estiver trazendo mais custos do que retorno a empresa. Neste caso, a venda do ativo e a sua posterior destinação ao pagamento de dividendos é saudável para a empresa.

Desta forma, é importante levarmos em consideração os ativos que possuem bons indicadores de dividend yield, entretanto é preciso ter cautela no processo de análise deste indicador, uma vez que é necessário identificar se a empresa está apresentando políticas gerenciais que estão contemplando pagamentos superiores aos lucros aferidos (caso de preocupação ao investidor) ou se a empresa possui responsabilidade fiscal-financeira no que tange a distribuir à seus acionistas valores inferiores aos apurados por suas atividades sobre a forma de lucro (cenário ideal).


1 Entende-se como proventos os pagamentos de Dividendos, Juros sobre Capital Próprio e outras modalidade de compensação, financeira ou não, fruto dos rendimentos obtidos em um investimento em ações.


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