Poupança ou Tesouro Direto? Vale a pena parar para Analisar!


  1. INTRODUÇÃO

Antes de iniciarmos a discussão comparativa entre a Caderneta de Poupança e os Títulos Públicos ofertados pelo Tesouro Direto, faz-se pertinente entender a base conceitual de investimentos. Desta forma, entendesse como INVESTIMENTO toda aplicação financeira que “resguarda” o valor principal, ou seja, o valor investido e que oferece em contrapartida um ganho real, aumentando o poder de compra do investidor.

Com a conjuntura econômica atual em que o Brasil apresenta, onde o nível de inflação, recentemente extrapolou o teto estipulado pelo Governo, apresentando patamares elevados; os investimentos tradicionais como a caderneta de poupança deixou de apresentar características de investimento para os poupadores, uma vez que seus ganhos reais são negativos.

Entende-se por ganho real, o valor efetivamente recebido e embolsado pelo investidor (ganho líquido), ou seja, os juros advindos de seus investimentos descontados de todos os custos envolvidos na operação e, descontando também, a inflação acumulada do período. Desta forma, o presente artigo apresentará uma análise comparativa entre a caderneta de poupança com um olhar clínico frente às concepções culturais que dificultam, no presente momento do país, o desenvolvimento das finanças pessoais daqueles “investidores” relutantes em deixar seus recursos financeiros na poupança.

  1. CADERNETA DE POUPANÇA

Por motivos culturais, advindos dos transtornos ocorridos, no Brasil, durante as elevadas ondas inflacionárias ocorridas no final da década de 80 e início da década de 90, enraizou-se a concepção coletiva de que a segurança nos investimentos é o aspecto mais importante que deve ser considerado na hora de realizar aplicações financeiras, tanto que a maioria dos brasileiros faz com que a caderneta de poupança seja a aplicação mais popular no País. No total, são mais de 125 milhões de brasileiros investindo na poupança.

Apesar da facilidade da aplicação e da liquidez diária, atualmente a poupança passou a desconsiderar a característica primordial que a tornou o investimento mais popular do Brasil, a segurança. Isso se dá pelo fato de sua rentabilidade mensal de aproximadamente 0,5% ao mês ser inferior ao índice inflacionário atual o qual ultrapassa os 0,65% ao mês, indicando assim uma perda real para o “investidor” optante pela Caderneta de Poupança.

Desta forma, em patamares atuais, deixar dinheiro “aplicado” na Caderneta de Poupança se configura como uma decisão irracional (o que será comprovado no tópico 4), já que existem no mercado investimentos que garante uma excelente rentabilidade, se comparado com os “ganhos” da poupança atrelado à alta liquidez e segurança.

O aumento do juro ao longo do ano fez com que a poupança voltasse a perder a atratividade frente outros produtos do mercado financeiro, principalmente para o Tesouro Direto, investimento este que reunem características parecidas à Caderneta de Poupança, sendo mais atrativo suas taxas de retorno. A quantia mínima para aplicar no Tesouro Direto é de R$ 30 e atualmente há corretoras que fazem o investimento sem cobrar taxa alguma, cobrando apenas as taxas de negociação.

  1. TESOURO DIRETO

O Tesouro Direto é um Programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a BMF&F Bovespa para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, por meio da internet.

Implementado em 2002, esse Programa surgiu com o objetivo de democratizar o acesso aos títulos públicos, permitindo aos pequenos investidores a realizarem seus investimentos de forma simplificada, com rentabilidade superior à poupança. Antes do Tesouro Direto, o investimento em títulos públicos por pessoas físicas era possível somente indiretamente, ou seja, era realizado por meio de fundos de renda fixa que, por cobrarem elevadas taxas de administração, especialmente em aplicações de baixo valor, reduziam a atratividade e a rentabilidade desse tipo de investimento.

Assim, o Tesouro Direto contribuiu para a diversificação e complementação das alternativas de investimento disponíveis no mercado, ao oferecer títulos com diferentes tipos de rentabilidade, prazos de vencimento e de fluxos de remuneração, sendo uma opção inteligente em investimento.

Informação Adicional: O Tesouro Direto é uma modalidade de investimento que atende, de forma satisfatória, o “TRÍPE” conceitual financeiro, conciliando boa rentabilidade, alta segurança e liquidez.

  1. ANÁLISE E RESULTADOS

Afim de realizar uma análise comparativa entre as opções de investimentos supracitados, foram definidas as variáveis e seus percentuais que interferem de forma direta no resultados pretendidos. Sendo eles:

  • Taxa média de Retorno da Poupança: 0,5% a. m.;

  • Taxa média líquida de Retorno do Tesouro Direto: 0,88% a. m.;

  • Taxa média de Inflação Acumulada: 7% a. a.;

  • Período de Investimento: 20 anos;

  • Investimentos periódicos: R$ 100,00 por mês;

Tabela 1 – Análise: Caderneta de Poupança

Analisando de forma criteriosa a tabela apresentada acima, percebesse que, o investidor ao realizar investimentos periódicos mensais de R$ 100,00, ao final de um ano, o mesmo apresentará um saldo de R$ 1.233,56, ou seja, o investidor terá desembolsado R$ 1.200,00 (R$ 100,00 x 12 meses), obtendo um ganho de R$ 33,56 como rendimento de sua aplicação.

Aparentemente, a poupança demonstra uma ideologia falha uma vez que monetariamente o investidor terá, teoricamente, mais dinheiro que investiu. Essa falha é “escondida” dos investidores pois os mesmos não consideram o poder da inflação em seus investimentos, “monstro” este que corroí o poder de compra do investidor.

Desta forma, como se pode observar na tabela, mais precisamente na coluna “Resultado Real”, ao terminar o primeiro ano de investimento, o investidor terá um poder de compra de R$ 1.194,73 em valor presente, ou seja, terá o poder de consumir apenas R$ 1.194,73 ao invés de consumir os R$ 1.200,00 investido. Isso ocorre devido a influência da inflação, corroendo o poder de consumo do investidor. Notasse que a taxa da inflação é superior ao rendimento da poupança, corroendo a capacidade de consumo do investidor.

Em outras palavras, o investidor, por causa da taxa superior de inflação em relação a taxa de retorno do investimento na poupança, apresenta um retorno negativo, ou seja, o poupador estará perdendo o poder de compra (isso é o mesmo que perder dinheiro e qualidade de vida), sendo preferível o consumo ao invés de deixar os recursos financeiros aplicados na poupança.

Para o primeiro ano, a diferença é extremamente baixa (no primeiro ano o investidor perde R$ 5,27 de sua capacidade de compra), entretanto com o passar dos anos, devido aos juros compostos o prejuízo será considerado. Assim, a fim de comprovação, iremos agora analisar o retorno obtido pelo investidor se o mesmo deixar seus recursos aplicados na poupança por 20 anos.

Como se pode constatar na tabela 1, caso o investidor realize investimentos mensais durante 20 anos (240 meses), o mesmo terá realizado uma aplicação de R$24.000,00 e receberá R$ 46.204,09, um “ganho” de R$ 22.204,09. Entretanto, como já foi afirmado, o investidor precisa considerar a interferência da inflação Acumulada do período. Assim, deve ser analisado a coluna “Resultado Real” onde considera a inflação acumulada do período em analise.

Desta forma, observasse que o valor real que o investidor terá para consumir será de R$ 21.844,57, ou seja, o investidor terá aplicado a quantia de R$24.000,00 e terá, em 20 anos, um poder de consumo de R$ 21.844,57 concretizando assim sua perca financeira e qualidade de vida, pois terá um poder de compra menor. Isso é decorrente das altas de preços de ocorrem no mercado, de forma natural, e por isso deve ser analisada antes de realizar seus investimentos. Assim, é de suma importância que o investidor ao realizar suas aplicações financeiras considere a interferência da inflação em sua aplicação, optando por investimentos que tragam retorno real positivo, aumentando o seu poder de compra e consequentemente sua qualidade de vida.

A seguir será apresentada a tabela com as informações obtidas caso o investidor opte em investir seus recursos no Tesouro Direto, um investimento que apresentam características similares à poupança, diferenciando da mesma em sua taxa de rentabilidade.

Tabela 2 – Análise: Tesouro Direto

Analisando de forma criteriosa a tabela apresentada acima, percebesse que, o investidor, ao realizar investimentos periódicos mensais de R$ 100,00, ao final de um ano, o mesmo apresentará um saldo de R$ 1.259,82, ou seja, o investidor terá desembolsado R$ 1.200,00 (R$ 100,00 x 12 meses), obtendo um ganho de R$ 59,82 como rendimento de sua aplicação.

Entretanto, é de suma importância que o investidor analise a interferência da inflação acumulada no período. Desta forma, como se pode observar na tabela, mais precisamente na coluna “Resultado Real”, ao terminar o primeiro ano de investimento, o investidor terá um poder de compra de R$ 1.220,00 em valor dos preços dos produtos atualmente, ou seja, terá o poder de consumir apenas R$ 1.220,00 ao invés de consumir os R$ 1.200,00 investido, apresentando um ganho real de recursos para consumo futuro. Como a taxa de inflação é inferior a taxa de retorno do investimento, o investidor ao optar por essa modalidade de investimento terá um retorno real positivo.

Em outras palavras, o investidor estará ganhando mais poder de compra (isso é o mesmo que ganhar dinheiro e qualidade de vida), sendo preferível “abrir mão” do consumo imediato em favor do consumo futuro, pois ganhará, de forma real, um ágio (benefício) pela abdicação de seu consumo.

Para o primeiro ano, a diferença é extremamente baixa (no primeiro ano o investidor ganha R$ 20,00 em poder de compra, entretanto com o passar dos anos, devido aos juros compostos o ganho será considerado. Assim, a fim de comprovação, iremos agora analisar o retorno obtido pelo investidor se o mesmo deixar seus recursos aplicados no Tesouro durante os 20 anos.

Como se pode constatar na tabela 2, caso o investidor realize investimentos mensais durante 20 anos (240 meses), o mesmo terá realizado uma aplicação de R$24.000,00 e receberá R$ 81.690,35, um “ganho” de R$ 57.690,35. Entretanto, como já foi afirmado, o investidor precisa considerar a interferência da inflação no período acumulado. Assim, deve ser analisado a coluna “Resultado Real” onde considera a inflação acumulada do período em analise.

Desta forma, observasse que o valor real que o investidor terá para consumir será de R$ 35.074,00, ou seja, o investidor terá aplicado a quantia de R$24.000,00 e terá, em 20 anos, um poder de consumo de R$ 35.074,00 concretizando assim um ganho de R$11.074,00 em poder de compra e qualidade de vida, pois terá um poder de compra maior.

  1. CONCLUSÃO

Devido aos fatos narrados, percebemos que, em patamares atuais, onde os juros se encontram em níveis elevados e com a elevação da inflação, investimentos como a poupança tornasse uma estratégia errônea pois corrói o poder de compra dos poupadores. Assim apresentasse, como estratégia conservadora, a opção de investimentos em Títulos Públicos.

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